sábado, 19 de maio de 2012

A Europa veste azul

O Chelsea levanta a taça da Uefa Champions League pela primeira vez em sua história, em Munique (Foto: Globoesporte.com)
Ao contrário do resultado de enquete feita aqui no blog nos últimos dias, o Chelsea bateu o Bayern de Munique e levantou pela primeira vez em sua história o troféu mais cobiçado da Europa, o da Uefa Champions League.

Em jogo decidido apenas nas penalidades, o clube do bilionário Roman Abramovich espantou de uma vez o peso de nunca ter vencido a maior competição do velho continente, em um temporada em que ninguém acreditava na força do time.

Depois de fraca temporada no Campeonato Inglês, os blues, após a chegada do técnico interino Roberto di Matteo, conquistam seu segundo título em menos de um mês (o primeiro foi a Copa da Inglaterra, batendo o Liverpool).

Desde 1985, quando a Juventus foi a campeã europeia, nenhum time que conquistou a Champions teve campanha tão fraca no campeonato nacional, como o Chelsea nesta temporada. Foi realmente um título surpreendente do time de Drogba e cia.

O jogo
 
Depois de uma cerimônia de abertura de se fazer inveja a qualquer um (coitada da Conmebol), a bola rolou no estádio Allianz Arena com a perspectiva de um jogo de ataque contra defesa, uma vez que a força do time do Chelsea se baseou nos contra-ataques durante toda a competição.

Logo de início o Bayern impôs sua condição de dono da casa e foi para cima do time inglês. Pelo menos até a metade da primeira etapa, os alemães encurralaram os “blues” e perderam boas chances de gol, a melhor delas com o holandês Arjen Robben.

Com tanta pressão dos alemães, Petr Cech mostrou, com uma grande defesa e boas saídas do gol, porque é considerado um dos melhores goleiros do mundo. A ineficiência na finalização também atrapalharam o Bayern para abrir vantagem na decisão.

Aos poucos, o Chelsea foi se soltando e se arriscando mais nos contra-ataques. Lampard e Juan Mata puxavam o time nos contra-golpes, enquanto Kalou e Drogba se posicionavam mais à frente esperando pela bola.

O time inglês teve durante toda a primeira etapa somente duas boas e claras chances de gol. A primeira em promissora cobrança de falta de Juan Mata, que foi por cima do gol, sem perigo, e a segunda em bela troca de passes do time até a bola chegar em Kalou, que bateu firme para defesa de Neuer.

O 0 a 0 no primeiro tempo pareceu pouco para os donos da casa que criaram ainda mais duas boas chances de inaugurar o placar, mas esbarraram nos erros de finalização de Frank Ribéry e Mario Gomez.

Depois do intervalo a situação do jogo não mudou. Praticamente o segundo tempo inteiro foi de pressão atrás de pressão do time da casa, porém, as chances CLARAS de gol eram raras. A melhor oportunidade foi em gol do Bayern corretamente anulado pelo bandeirinha, que enxergou posição de impedimento de Ribéry. Ao contrário do primeiro tempo, o Chelsea nem contra-atacar conseguia mais e se limitou a se defender.

Jogadores do Chelsea comemoram em jogo de título inédito (Foto: Globoesporte.com)
Quando tudo parecia que iria ficar no 0 a 0, Thomaz Müller, aos 38 minutos, fez de cabeça o que parecia ser o gol do quinto título europeu do Bayern de Munique. Realmente, só parecia, pois o Chelsea tinha Drogba. Em cobrança de escanteio, o camisa 11, aos 43, se adiantou a marcação de dois zagueiros, subiu alto e mandou uma rajada de cabeça para empatar um jogo que parecia perdido. Mais uma vez a decisão da Liga dos Campeões da Europa ia para a prorrogação.

Logo aos 5 minutos do primeiro tempo extra, Robben despediçou a chance de colocar o time alemão novamente na frente. Em cobrança de pênalti, o holandês cobrou mal e Petr Cech fez a defesa. Depois disso, o Bayern se abateu e o jogo ficou morno, sem grandes emoções.

Na segunda parte da prorrogação, nenhuma novidade. O jogo seguiu sem exigir sustos aos goleiros e a decisão do título europeu da temporada 2011/2012 foi para os pênaltis.

Nas cobranças, Lahm fez o primeiro do time alemão, enquanto via Neuer defender a batida de Juan Mata. Na segunda série, tanto Mario Gomez, quanto o brasileiro David Luiz, converteram. Na terceira, o goleiro Neuer bateu e fez para o time vermelho, enquanto Lampard também anotava para os blues. Foi na quarta cobrança do Bayern que a virada inglesa começou. Olic bateu e Cech pegou. Na sequência, Ashley Cole bateu com firmeza e empatou tudo. Na última cobrança, Schweinsteiger bateu a penalidade na trave e Drogba, o heroi do jogo, fez o gol que deu a glória ao Chelsea.

Enquanto o marfinense partia para a bola, imaginei quantos torcedores do Chelsea relembravam o pênalti que John Terry perdeu na final da temporada 2007/2008, quando o capitão inglês teve a cobrança do título em seus pés e escorregou na hora da batida. Na sequência, o Manchester United, adversário dos blues na final daquele ano, conquistou o título.

Sorte que desta vez a bola entrou, para o delírio da torcida inglesa no Allianz Arena e em todo o mundo.

E o que o título do Chelsea na UCL significa?

1- Ao contrário do que a teoria possa apresentar, o Chelsea não é o melhor time da Europa. Longe disso. É até mesmo pior que o próprio Bayern e que o próprio Barça, times que os blues bateram na tragetória ao título. Dentre os quatro semifinalistas, era dado por todos como o mais fraco e menos provável campeão, quando o mundo inteiro apontava uma “final dos sonhos” entre Real Madrid e Barcelona.

2- Com mais este título, o Chelsea mostrou ao mundo como realmente o futebol não é feito de justiça e nem no papel. Com elenco limitado, se comparado aos outros gigantes da Europa, foi campeão jogando um futebol retranqueiro e brigado. Foi mais na raça do que na técnica. Di Matteo fez milagre com este time. Além de bater o forte Bayern na decisão, eliminou o melhor time do mundo, o Barcelona, na semi.

3- Comparações de força de time, estilo de jogo e táticas à parte, assim como o time inglês, que nunca havia sido campeão continental, o Corinthians pode se espelhar nos blues para ganhar o tão sonhado título da Libertadores. Jogando, aqui na América do Sul, até melhor do que o Chelsea joga na Europa, o timão pode selar 2012 como o ano da reviravolta e fazer com que na Libertadores haja também um campeão inédito, assim como vimos hoje no Allianz Arena.

4- Quem acha que o campeão sul americano este ano terá missão fácil no Mundial de Clubes, em dezembro, se engana. Seja Boca, Corinthians, Fluminense, Libertad, Santos, Universidad de Chile, Vasco ou Vélez o campeão da Libertadores, o Chelsea será time o suficiente para bater qualquer um desses clubes. A missão pode ser considerada menos complicada se pensarmos que poderia ser o Real Madrid ou novamente o Barcelona o representante europeu. Mas, com Drogba, Ramires e Lampard em campo, não dá para prever facilidade nenhuma para os sul americanos no Mundial.

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